segunda-feira, 17 de maio de 2010

Os homens, o amor e a fidelidade




Não existe homem fiel.


Uma afirmação tão categórica desperta reação indignada. “Ah, o meu marido é fiel, tenho certeza.”


Nunca traí minha mulher, eu a amo.” Entre essas convicções, existe um oceano de nuances. Como definir a infidelidade?


“Eu gostaria sobretudo que as mulheres parassem de pensar que a culpa é delas quando seu homem as trai.


As mulheres não são responsáveis pela libido dos homens”


ninguém pode impor fidelidade a ninguém.


Não sei se a maioria dos homens trai. Sei que todos, homens e mulheres sofrem muito quando são traídos. Só que cada um lida de maneira diferente com esses sentimentos.


Autora de Les hommes, l’amour, la fidélité, livro recente ainda não editado no Brasil, Maryse Vaillant não se baseou em estatísticas, mas em dezenas de entrevistas



No livro, conhecemos Ben, “o monogâmico infiel e mentiroso que só ama sua mulher oficial”. É um perfil bem comum. Adora a mulher e os filhos, idolatra a família, valoriza o trabalho. Mas não se imagina abdicando de seus casos sexuais, nunca amorosos. Nada que ameace a família ou magoe a mulher. É discretíssimo, mais cuidadoso ainda nestes tempos de internet. Ele se casou para toda a vida. As outras só importam porque o fazem se sentir atraente e vivo. Ben não se considera infiel.

Outros perfis de homens: o polígamo ansioso, que quer ir para a cama com todas. Liberdade sim, casamento nunca. “Esse homem imaturo é cada vez mais frequente, mas especialmente na juventude”, diz Maryse. Só que alguns jamais passam desse estágio. Ou passam, mas voltam sôfregos à ativa muito depois, com a ajuda de medicamentos e a ingenuidade da velhice.


Para uma psicóloga francesa, os homens fiéis são tão raros que a mulher nem deveria se preocupar

Há os infiéis crônicos, que se apaixonam também pelas amantes. “Esses continuam a aumentar – junto com os divórcios.


Associam casamento à paixão e vão buscando outras eternamente.


São homens meio perdidos que acham que só as mulheres podem ajudá-los a crescer e amadurecer.”


Existem os fiéis cativos e obsessivos, mas “esses têm ciúme até do passado da mulher e podem se tornar violentos”.


Por fim, o espécime raro e sonhado por tantas mulheres:

“o fiel por alegria e convicção”.


Seria um perfil mais comum entre casais de meia-idade, que começam uma relação madura e plena após alguns insucessos.

Não há novidade no fato de que homens traem mais que mulheres – e mais por sexo que por amor. É um traço cultural, mas eles também se sentem mais livres por não engravidar nem dar à luz.


Isso tudo nós já sabemos, e alguns de nós já enfrentamos com mais ou menos inteligência, valentia e sofrimento.



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